“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. ” Amyr Klink


domingo, 24 de maio de 2009

Saíndo de Amsterdam



Depois do museu paramos para um lanchinho básico... o que eles chamam de “true american hot dog”... pfft!!! Quanto mais tempo eu passo aqui, mas tenho certeza de que temos coisas muito melhores no Brasil, que nem nos damos conta. Vou abrir uma barraquinha de “The True Brazilian Hot Dog” aqui e rachar de ganhar dinheiro. Eles não sabem que cachorro quente pode ser mais do que salsicha e mostarda!!
Como não tive muito mais lembranças lindas de Amsterdam, não quis comprar nem um souvernizinho de lá. Nenhum. Nada. Niente.
Voltamos para o hostel e ficamos fazendo hora até irmos para a estação pegar o busão de volta para Paris. No saguão do hostel, “Chorando se foi” anunciava a hora da partida (sério, cara! Chooorando se fooi, quem um dia só me feeez choraaaaar....), como eu digo: “Não saí do Brasil pra isso, não!!!” Aliás, deixa eu abrir um parêntese para falar sobre todas as músicas bizarras que ouvimos nessa viagem, geralmente na hora de ir embora de algum lugar, no melhor estilo “música-para-expulsar-pessoas”. Em Liverpool, quando estávamos indo embora, um cara na rua estava tocando um bolerinho manjado que já esqueci qual era, mas sei que minha mãe canta o tempo todo. Em Edinburgh, quando terminamos nossas orgias chocoláticas no ChocolateSoup começou a tocar - e vocês não vão acreditar mas eu juro! - “Vou de Táxi”!!! Nah.... No parque das tulipas, também na hora de ir embora, o órgão de rua começou a tocar aquela música do Fagner, que ele diz que queria ser um peixe e tal... Ninguém merece!! Ainda falta uma semana para voltarmos pro Brasil. Tenho medo do que ainda estar por vir.
E eu ainda na indecisão sobre voltar ou não para a Inglaterra... Tudo seria mais fácil se o ignóbil fosse pra Paris, mas enfim... Não tive muito tempo para pensar nisso, porque tive que enfrentar o povão europeu tão logo fomos embarc ar no ônibus. Gente!! Esse povo da Europa não sabe o que é fila não!!! Se amontoam todos igual urubu na carniça, credo! Que falta de glamour!!! Kkkkkk Pelo menos isso a gente tem no Brasil (com exceção da transferência pra linha 2 na estácio rsrs)... a gente ve uma portinha “passa-um”, já vai ficando um atrás do outro bonitinho igual formiguinha. Brasileiro é foda!! =)
Mas estes europeus quase me esmagaram!!! Estava reclamando disso com a Simone no busão, em alto e bom som... “tenho que ouvir música bizarra, me degladiar com europeus sem educação, me apertam a bunda no meio da rua, fora o cara de Londres na loja de chocolate que falou q comeria o meu **!!! Saí do Brasil pra isso não ó!!” – fui interrompida por um anúncio do motorista – em francês – que uma menina logo se pôs a traduzir: “Ah, ele tá dizendo que é proibido comida, suco, etc”... e então eu ouço o pai dela falar qualquer coisa, e mais alguém atrás de mim fala. PQP!!! Eu estava ouvindo português em stereo surround 5.1!!! E eu bradando aos quatro ventos sobre os assédios sofridos, com palavras que só usamos quando sabemos que ninguém vai entender.
Simone se rasgou de rir... como gosta de uma desgraça alheia...
Depois de uma noite mal dormida no malfadado ônibus – que não tem banheiro – chegamos a Paris. E eu, que havia decidido não ir para Londres, decidi que iria para Londres. Simone foi me seguindo até a Gare Du Nord, e eu fui para o balcão ver se ainda havia algum ticket pagável. Não só havia, como eram super baratos!!! 100 euros ida e volta, uma pechincha pelo Eurostar! Só um problema: o trem sairia dali a 30 minutos e eu ainda teria de fazer check-in e passar pela imigração!!! Ai que tenso!!! Ai que merda que eu to fazendo!!! Ai como eu sou impulsiva!!! A mulher da imigração olhou pra mim com cara de quem lê o Estadão e carimbou meu passaporte. Dois carimbos para a Inglaterra em um mês!!! Eu só tenho cara de ilegal para os italianos mesmo!!!
Agora estou no trem de volta para Londres, por três dias, com o coração apertado de ter deixado minha irmã desnorteada para trás, desolada porque vou desperdiçar três dias em Paris, certa de que no futuro vou me arrepender amargamente de ter feito isso (ou não). Mas vou tentar fazer valer a pena. No mais, volto para Paris ainda esta semana, para ver a torre, o arco, a catedral... Ainda terei três dias. =)
Podem me chamar de impetuosa. Rsrs. Foi pra isso que eu saí do Brasil. =))

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