“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. ” Amyr Klink


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Pintando o cabelo no banheiro do hostel

Decidi tirar um dia de folga das andanças!!! Fiquei aqui quietinha quase o dia todo, fazendo nada. Mas, como dizem, foi um ócio produtivo. Simone saiu para subir a colina e ir em algum museu, eu liguei o pc e fiquei navegando. Por volta das 11:30 consegui falar com mamis, era um horário bom pra achá-la em casa. E um horário que nunca dava pra tentar, já que sempre estávamos fazendo alguma coisa.
Quando minha irmã chegou, fui para a cozinha para fazermos almoço. Almoço preparado, servido e comido (!), hora de lavar a louça. Tinha um escocês do staff e um espanhol na cozinha, que estavam conversando, enquanto nos virávamos com a escova de privada (é, aqui também). Em algum momento alguém falou não sei o que sobre a Grécia (Greece). Simone vira na empolgação total: “Greice? É ela!”, eu que peguei o bonde andando deixei pra lá, não tinha entendido. De repente o escocês me perguntou de que parte da Grécia eu era... ai céus!! Tive que explicar que minha irmã tem problema com esse tipo de coisa (ontem ela pediu um sanduíche de carne (steak), ela falou “stick”, o cara entendeu “chicken” e ela ganhou um sanduíche de frango. A história do “cisco no meu ass” eu deixo pra ela contar). Daí começou o mesmo papo de sempre: “eu sou do Brasil, ah que parte, tal, e pá”... fiquei lá conversando com os dois por séculos, Simone evadiu-se da cozinha sem que eu notasse, depois de falarmos sobre segurança pública, valores de família, tipos de drogas e controle de natalidade (o escocês quer ter sete filhos, tive que explicar que para que pessoas como ele pudessem ter uma “ninhada”, pessoas como eu tinham que se abster de ter algo mais que cães e gatos), Simone avisou que estava de saída para o Museu Nacional da Escócia. Opa, esse eu queria ir! Fomos.
Foi rapidinho, chegamos quase na hora do museu fechar, mas deu pra ver alguma coisinha e tirar fotuxas. Na volta, acabei cruzando com o meu reflexo numa vitrine e – MEU DEUS, MEU CABELO TÁ LARANJA!!!! Não, vocês não tão entendendo, isso é grave!! Caso de vida ou morte! Eu PRECISAVA dar um jeito nisso. Me lembrei de uma experiência traumática que tive uma vez, tentando pintar o cabelo num quarto de hotel... isso não ia dar certo. Mas menos certo ainda é eu de cabelo laranja.
Entrei numa loja gótica, com atendentes estranhas e um sex shop interessante no fundo. Eles tinham todas as cores possíveis e imagináveis de tinta, mas eu não tinha opção, só queria alguma coisa vermelha. Sim! Eu ia fazer isso!!! A loja, por ser gótica, era escura. O que não é uma coisa muito inteligente... como eu ia ver a cor das tintas? Mas uma patypacker precavida vale por duas!!! Saquei minha lanterna de luz xenon na bolsa e fiquei dez minutos contemplando as mechinhas coloridas!!! Foi épico, mas consegui me decidir e paguei meros £4 pelo tubinho. Muito mais barato que qualquer tinta decente no Brasil.
Hora da verdade... eram umas seis e meia, o banheiro devia estar vazio. Eu precisava fazer aquilo (pintar o cabelo, não o que vocês estão pensando!) e aquela era a melhor hora. Juntei minhas coisinhas de banho e fui. Coloquei tudo em cima da pia, preparei a área de trabalho e... surge o escocês dos sete filhos de um dos toaletes!!! Ele estava lavando o banheiro!!! E eu pronta a fazer a lambança épica, fui pega no pulo! Por um homem! No banheiro feminino!!! Ele me pediu cinco minutos, caso eu quisesse usar os chuveiros, porque ele estava de saída. Eu disse “não, tudo bem... eu vou... lavar o cabelo aqui na pia mesmo... eu tenho que pintar, então, pois é...” E foi uma cena épica: ele lavando a privada, eu com a cabeça cheia de espuma, tentando enxaguar na pia.
Quando eu terminei de lavar, e o escocês saiu, a Simone chegou. Ela havia me prometido apoio moral. Eu ia precisar. Mas tudo correu bem e agora estou aqui feliz da vida com meu cabelo vermelhinho de novo. E amanha é Amsterdam!!! =)))

2 comentários:

Souza Júnior disse...

Haha, imagino a cara da Simone com "É ela, é ela! Ela é a Greice!" hahahahahahahahaa....
No mais, saudades de vocês.
BJos!

V for Verônica disse...

Greice,

você deve ser uma criatura muito, mas muito engraçada.

V for Verônica

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