“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. ” Amyr Klink


sábado, 2 de maio de 2009

A imigração foi tensa

Foi. Muito. Achei que ia ser repatriada. Xô contar:

Primeiro tive que passar pela caralhésima vez no Raio X, no aeroporto Fiumicino, em Roma. Desta vez mandaram eu tirar os sapatos. Fiquei feliz por minha meia não estar furada. Enquanto calçava as botas e colocava o cinto, reclamei com um brasileiro que vinha atrás de mim, e que me disse que em Londres é muito pior. Pronto, vou de biquini de uma vez – pensei.

Depois fiquei rodando igual barata tonta dentro do aeroporto. Pra que tanto portão, deosmeo?
Quando finalmente achei as setinhas que levavam ao maldito A07, fila monstruosa de controle de passaporte.. Aliás, esse lance de só ter fila no Brasil é até uma vantagem cultural. Aqui não tem filas! As pessoas não estão acostumadas, eu acho, então fica aquele monte de gente amontoada sem ordem alguma. Uma zona.

Apesar de gigante a “fila” lá ía rapidinho. Cara passava o olho no passaporte, olhava a pessoa (cara, crachá, cara...) e mandava passar. Até chegar a minha vez.
O cara olhou TODAS as folhas do passaporte, começou a falar comigo em Italiano, que eu entendo bem mas falo porcamente.
Primeiro me perguntou se era minha primeira vez na Europa.

"Si".
Quantos dias?
"30". Neste ponto eu respondi em italiano, mas sem ter certeza se tinha falado número certo (que ridículo – eu estudei italiano em 97, na escola! Me deem um crédito.) perguntei se podia falar inglês.
"Italiano", me respondeu secamente o cara atrás do vidro.
Depois que ele viu minha cara de "como assim?" ele perguntou: "Mas você não fala espanhol, brasileiro...:?
"Falo PORTUGUÊS". E ele arqueou a sobrancelha como quem diz "ou isso".

Pediu minha passagem de volta. Olhou. Entendeu lhufas pelo jeito. Perguntou quanto dinheiro eu trazia. Não se deu por satisfeito. Tocou a campainha.

Pééééééééé!!!!

"Pronto, agora fudeu." - O tico falou pro teco.

Ele me pediu para esperar atrás do guichê, e eu com a cara queimando já. Todo aquele mundaréu de gente lá atrás e tinha que ser na minha vez o ”péééé” e o giroflex chamando atenção de todos para minha humilde pessoa. Lá vamos nós!

Fui “convidada a acompanhar” um gordinho fardado com broche de “polizia” que me levou para uma salinha privativa. No caminho perguntei se havia algum problema, e ele disse que eram só mais algumas averiguações. Eu com o * na mão. Na salinha começou o interrogatório. Nada que eu já não estivesse preparada para responder (muito engraçado, ele em italiano e eu em português – e portuliano eventualmente, ás vezes o sistema dá pane), mas confesso que não esperava passar por isso na Itália (e Simone, o gato italiano que você me desejou não apareceu). Só a título de curiosidade, para aqueles que ainda vão se submeter a este tipo de coisa: Ele, enquanto olhava o passaporte o tempo todo e checava o computador, me perguntou para onde eu estava indo, se era turista, quantos dias eu ia ficar, se trabalhava no Brasil, me pediu para ver meus cartões de crédito (saquei a coleção e o Visa Travel Money, com o devido extrato impresso, que ele fez questão de verificar. Pareceu satisfeito.), perguntou e pediu para eu mostrar meu seguro de viagem, e perguntou se tinha reservas de hotel também. Depois se levantou e foi para a porta. Fiquei com cara de tacho sem saber o que fazer. Olhei pro Seu Polizia e ele tava lá olhando pra mim com cara de “tá fazendo o que aí ainda?”. Perguntei se era tudo, ao que ele respondeu que sim, “va bene”. Ganhei um carimbo.

Mas continuei tensa. Sentei no terminal A07 e comecei a escrever este post, aproveitando a conexão wireless, que tem convênio com a Vex, que é usada nos aeroportos brasileiros (o que significa que o cartão wi-fi que a gente compra no Brasil vale aqui também). Não consegui terminar. Uma mensagem pelo auto-falante avisava que meu portão de embarque tinha sido alterado. Saí correndo, sem saber das horas. O embarque começaria ás 08:55. Lá vou eu de novo me perder no monte de corredor. Consegui achar o maldito A13. O moço que estava lá nâo sabia de nada. Achei o guichê da Alitalia, perguntei pra mocinha e ela me disse que era B13. Eu tava tão tensa que só tinha prestado atenção no número (e engraçado que o aviso sonoro foi só uma vez, em italiano e inglês. Me pergunto se alguém perdeu o vôo por causa disso). Me perdi de novo. O relógio marcava 08:10. Achei outro moço da Alitalia. Perguntei. Agradeci – já estava correndo no meio do saguão e não sei se ele ouviu minha tentativa de ser educada. Outro relógio marcava 09:12. Fiumicino deve ser o único aeroporto com dois fusos no mundo.

Achei o maledeto. Embarquei. Dei informação para uma italiana que estava perdida. Não entendi para onde ela estava indo, mas não era para “Parigi”. Estou no voo – o último por hoje (porque não dormi), finalmente – posto quando desembarcar no CDG. Mas ainda estou tensa. E cansada. E a minha bunda dói.

5 comentários:

Junior disse...

E eu vou daqui acompanhando. Nossa, se era eu tava ralado. No parlo una palabra en Italiano, só sabo que é tuti mafioso.....
Mas va bene, já passou a imigração, simbora!
Fico me perguntando: " E Simone meus Deuses? E Simone?"
Bjos!

Marcenez disse...

Que vida dificil né?..rsrs

Anônimo disse...

Não a conheço, conheci pelo orkut, mas essa da imigração italiana;;;;;;fiquei tenso, antes mesmo de viajar, já q vou fazer um estágio em Dezembro na Itália de 30dias e depois 15 mochilando...

Ana disse...

Putz!!!! Esse lance de tirar as botas eu já passei umas 3x. Tb já pensei em ir de biquini, quem sabe assim a gente não passa mais rápido? Mas vc passou uma barra, hein!? Eu nunca levo cartões, imagino se um dia acontecer isso comigo, eu sou deportada!

Unknown disse...

Q aventura q vc passou aí heim, mas pelo menos agora vc lembra e é engraçado né, nos aeropotos dos EUA vc tb tem q tirar tudo, calçados, jaquetas/casacos, luvas, tirar notebook da mohila, etc...chato rap caramba mas faz parte né..

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